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RecriaExatamente pela qualidade e importância do leite na alimentação dos cabritos e das cabritas, o desaleitamento é uma fase crítica: os animais passarão de uma dieta principalmente líquida, trabalhada basicamente no abomaso, para uma alimentação sólida, trabalhada no omaso e principalmente no retículo-rúmen, compartimentos característicos do aparelho digestório do ruminantes. De certa forma, os animais passam de "monogástricos" a ruminantes efetivos. O objetivo desta fase é permitir que os animais alcancem 60 a 70% de seu peso adulto aos 6-8 meses de idade, para que possam iniciar sua vida reprodutiva. Para que isto ocorra, cabritas com 12 kg aos 56 dias devem ganhar 150 g/dia para chegarem aos 7 meses com 35 kg. Embora o manejo alimentar nesta fase seja relativamente simples, é de grande importância. Por esta fase apresentar um custo diário mais baixo do que a fase de aleitamento, pode-se pensar em economizar na fase anterior e investir mais nesta, chegando ao mesmo resultado final. Porém, esse procedimento deve ser avaliado com cautela, pois se o animal não chegar em boas condições nesta fase, seu desempenho não será satisfatório e, no caso das fêmeas, se tiverem um ganho de peso elevado nesta fase elas podem acumular tecido adiposo (gordura) na glândula mamária, e este tecido não é mais removido, ocupando espaço que poderia ser ocupado por tecido secretor. Conseqüentemente, a produção destas fêmeas ficará prejudicada de forma irreversível. Além disso, se as cabritas se tornarem obesas, poderão ter dificuldade em emprenhar, pelo acúmulo de gordura no aparelho reprodutivo das cabritas. Na Tabela e na Figura abaixo são apresentados dois ritmos de crescimento: um para atingir 33 kg de PV e outro para atingir 39 kg de PV aos 7 meses de idade. O PV maior pode ser considerado como o objetivo do lote (no caso de raças pesadas, como a Saanen) para que, dentro da variação dos indivíduos do lote, as cabritas mais leves apresentem o desenvolvimento mínimo para chegarem aos 7 meses em condições de entrarem na reprodução, dando a primeira cria próximas a um ano de idade, sem prejuízo de seu desenvolvimento e produção futura. Caso se trabalhe para alcançar 33 kg de PV como a média do lote, as cabritas menos desenvolvidas não alcançarão o peso mínimo necessário para a cobertura aos 7 meses de idade... Tabela. Peso vivo (PV), em kg, e Ganho em Peso Diário (GPD), em g, para cabritas alcançarem 33 ou 39 kg de PV aos 7 meses, para animais nascidos com 3,5 kg de PV.
Figura. Curva de desenvolvimento ponderal de cabritas com o peso vivo (PV) e o ganho em peso diário (GPD) para alcançarem 33 ou 39 kg de PV aos 7 meses de idade, para animais nascidos com 3,5 kg de PV. Logo que o leite deixa de ser oferecido, a primeira preocupação é fazer com que os animais passem a ingerir alimentos sólidos em quantidade suficiente para manter o desenvolvimento normal. O concentrado deve ser distribuído sem restrição até os 90 dias, restringindo-se a partir daí o consumo para 500 g por cabeça e por dia, para raças européias, cuja média de peso dos animais adultos é de 50 a 70 Kg de PV. A utilização de produtos peletizados é conveniente. O volumoso, seja ele verde, feno ou silagem, deve ser fornecido em quantidade suficiente para que haja uma sobra de pelo menos 20% do oferecido, devendo sobrar mais, caso se utilize um alimento de qualidade inferior, para se certificar de que o animal ingeriu o suficiente para suprir suas necessidades. A Água e a mistura mineral completa devem estar sempre à disposição. Evitar práticas que estressem os animais, como vacinações, mochação ou tatuagem. Monitorar o desenvolvimento ponderal, o crescimento e a condição corporal. A partir dos três meses de idade as cabritas devem estar completamente adaptadas à alimentação sólida e já com uma razoável capacidade de ingestão. Restringe-se então a ingestão de concentrados à 300 à 500 g por cabeça ao dia, dependendo de sua composição, do volumoso (ad libitum) e da condição do lote. Manter o ritmo de crescimento de acordo com o já descrito, com um escore de condição corporal em torno de 3. Se de um lado buscamos um crescimento acelerado, que permita que os animais entrem em reprodução o quanto antes, por outro, é indesejável um crescimento excessivo, pois, como já mecionado, caso os animais fiquem obesos, corre-se o risco de deposição de gordura na glândula mamária e no aparelho reprodutor, que poderá afetar negativa e irreversivelmente a produção e a reprodução. Nos três primeiros meses de gestação seguir basicamente o mesmo manejo, pois a exigência do feto ainda é pequena. De qualquer forma, não pode haver descuido, para que a gestação transcorra tranqüilamente e o desenvolvimento corporal da cabrita, embora em ritmo menos acelerado, não seja prejudicado. No inicio desta fase é possível ajustar o escore da cabrita. Se ela estiver obesa, convém um ligeira restrição para deixá-la em um estado de carne satisfatório e, por outro lado, se estiver excessivamente enxuta, fornecer uma suplementação adicional para melhorar sua condição. O mesmo padrão de volumoso da fase anterior e cerca de 500 g de concentrado por dia devem ser suficientes. Deve haver uma preocupação especial com a água e a mistura mineral completa, que devem estar sempre à disposição. No terço final da primeira gestação, a situação torna-se mais delicada: a capacidade de ingestão de alimentos das cabritas ainda não é máxima e é nesta fase que há o maior crescimento do(s) feto(s), que passa(m) a ocupar espaço, diminuindo a capacidade de ingestão enquanto aumenta a demanda por nutrientes. Além disso, a cabrita ainda tem as exigências para manter seu próprio desenvolvimento, pois ainda está em fase de crescimento. Tanto a sub quanto a super alimentação são prejudiciais nesta fase, podendo, em ambos os casos, acarretar toxemia da gestação. Por outro lado, nesse momento pouco se pode fazer com relação ao ECC: se ela estiver acima da condição ideal, a atenção deve ser redobrada, pois tentar restringir alimento poderá, ao invés de auxiliar na prevenção da toxemia, desencadeá-la mais rapidamente; se o animal estiver abaixo da condição ideal, não há problema em suplementá-lo ligeiramente acima de suas necessidades, buscando uma correção de sua condição corporal. Um acompanhamento do escore corporal dos animais é de grande importância, devendo chegar ao parto com 3,0 a, no máximo, 3,5. Manter basicamente os cuidados da fase anterior, dando uma atenção especial ao volumoso, utilizando, se possível, um bom feno. Evitar práticas estressantes. Cerca de 15 dias antes da data prevista para o parto, a atenção deve ser ainda maior. Manter basicamente a alimentação da fase anterior, começando a inserir alimentos que serão utilizados na próxima fase, para que a transição de cabrita a cabra seja o menos traumática possível. Monitorar a ingestão de alimentos. Qualquer alteração deve ser prontamente acompanhada. Preferencialmente, a cabrita deve parir na baia onde está habituada, com suas companheiras. Só separá-la em uma baia maternidade individual caso necessário. Com relação aos machos que serão utilizados na reprodução, valem os mesmos princípios. Só deve-se ter cuidado adicional para evitar a formação de cálculos urinários, dando particular atenção à relação Ca:P da ração, que deve estar em torno de 2 a 3 partes de Ca para cada parte de P. Voltar ao início | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Última Atualização: 04/03/2007
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