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04/03/2007

Capril Serra de Andradas

Tradição e Progresso Genético em Cabras Saanen desde 1879

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Cabras


Os caprinos devem permanecer em produção a totalidade do tempo. Estão em crescimento, muitas vezes em ritmo acelerado, ou, no caso das cabras, estão em lactação e/ou em gestação. As exigências nutricionais de cabras variam de forma expressiva através das fases do ciclo produtivo: de 1 a 2,5 para a capacidade de ingestão, de 1 a 4 para a energia e o P e 1 a 6 para a proteína e para o Ca, em uma cabra de alto potencial produzindo cerca de 1000 kg de leite com 3,5% de gordura por lactação de 305 dias.

A partir da fixação na parede uterina, o embrião se desenvolve de acordo com seu padrão genético. O comportamento do feto em relação a sua mãe é similar ao de um parasita, ao exigir um abastecimento de quantidades crescentes de sangue até a placenta enquanto estimula o desenvolvimento dela. O feto toma da placenta todos os elementos necessários para seu funcionamento e crescimento; este último, é muito lento durante mais da metade da gestação, acelerando-se rapidamente de forma que aproximadamente 80% deste crescimento ocorre no último terço da gestação.

Os gastos de gestação da mãe compreendem tanto o crescimento e os gastos de funcionamento do feto e da placenta, como o aumento dos envoltórios e líquidos fetais, da parede uterina e da glândula mamária. Estes gastos são desprezíveis durante os dois primeiros meses de gestação, aumentando seguidamente de forma mais rápida que o incremento do peso do feto, dado que este enriquece em proteína, gordura e minerais ao longo de seu desenvolvimento.

Exceto o período final da gestação, o custo nutricional para a cabra não é elevado, embora alguns pontos devam ser considerados. Assim, o feto é muito sensível a uma carência de oligoelementos e vitamina A, que podem comprometer sua sobrevivência e seu desenvolvimento. De outro lado, a manutenção e crescimento do feto requerem glicose como fonte de energia preferencial. Quando a mãe está subalimentada no final da gestação, torna-se difícil fabricar a quantidade necessária de glicose no seu fígado, mobilizando suas reservas graxas. Esta conjunção pode conduzir à toxemia da gestação, particularmente nas cabras gestando mais de um feto. Esse problema também ocorre em cabras superalimentadas, com excesso de deposição de gordura.

Os gastos para lactação se devem às quantidades de água, energia, proteína e minerais exportados no leite, dependendo, principalmente, da quantidade e da composição do leite produzido. Estes gastos incluem, também, o funcionamento da glândula mamária e especialmente seu consumo de energia. Os gastos energéticos para a produção de 2 litros de leite equivalem aos gastos de mantença. Estes gastos são quatro vezes maiores nas cabras produzindo 8 kg de leite ao dia. Nestes animais altamente especializados, a glândula mamária tende a alcançar sua produção potencial nas primeiras semanas de lactação. Estas necessidades são particularmente elevadas ao início da lactação, fazendo com que a fêmea mobilize suas reservas corporais.

Na Figura abaixo são apresentadas as alterações na produção de leite, da ingestão de matéria seca, do peso vivo e da condição corporal de uma cabra leiteira adulta ao longo de seu um ciclo produtivo, considerando um intervalo de partos de um ano, dividida em quatro fases.

Fase 1

Esta é a primeira fase da lactação e certamente a mais delicada. O nível de produção aumenta rapidamente, atingindo o pico entre a terceira e a quarta semana de lactação, enquanto a capacidade de ingestão aumenta mais lentamente, atingindo o máximo entre a 5a e 8a semana. Com isso, a cabra perde peso, pois elimina mais nutrientes pelo leite do que é capaz de ingerir através da alimentação, fenômeno denominado balanço energético negativo. Em geral, esta mobilização é intensa entre a 4a e 8a semana de lactação, variando em função dos níveis de produção e capacidade de ingestão. Durante as três primeiras semanas, o peso diminui de 3 a 6 kg, continuando este processo por mais algum tempo, embora mascarado pelo aumento de peso do conteúdo digestivo. Essa fase dura cerca de dois meses.

Em função do exposto, a maior preocupação nessa fase é fazer com que o período de balanço energético negativo seja superado o quanto antes, devendo-se utilizar rações palatáveis e com elevada densidade energética. Em animais com pico de produção acima dos 5 kg de leite, pode se justificar o uso de gordura protegida. Como é freqüente o uso de elevadas quantidades de concentrado, não se deve descuidar da fibra. O escore logo após o parto deve estar entre 2,75 e 3,50 e após 45 dias de lactação o escore não deve estar abaixo de 2 e não deve ter diminuído mais do que 1,25 da avaliação feita logo após o parto.

Fase 2

Esta é uma fase mais simples, pois a capacidade de ingestão está normalizada e a produção de leite começa a diminuir. No início desta fase o peso da cabra se mantém estável e passa a aumentar lentamente, cerca de 0,6 a 1,9 kg por mês. A importância desta reconstituição aumenta com a intensidade da mobilização anterior e com a concentração energética da ração. Esta fase termina com a fecundação e é a que tem a duração mais variável, em função do intervalo de partos. Portanto, quando o ciclo é anual, dura cerca de cinco meses, enquanto dura apenas um mês quando o intervalo de partos é de oito meses.

Conforme o mercado, pode ser interessante atrasar a cobertura da cabra, para fazer com que o parto ocorra em uma época mais adequada. Se a cabra tiver bom potencial de produção e, principalmente, boa persistência, ela pode permanecer com altos níveis de produção por um período prolongado, devendo ser monitorada a sua condição corporal. Porém, com cabras com baixo potencial de produção e/ou baixa persistência, se a cobertura for atrasada, corre-se o risco de elevar excessivamente a condição corporal da cabra, o que, além de antieconômico, pode interferir em seu desempenho reprodutivo, dificultando a concepção. Pelo nível de produção estar diminuindo lentamente e a ingestão de alimentos elevada, é a fase onde se começa a acertar a condição corporal da cabra, preparando-a para a gestação e para a próxima lactação. O escore deve estar entre 2,0 e 2,25 no início da fase e alcançar 2,50 a 2,75 no final da fase.

Fase 3

Essa fase se inicia com a concepção e dura 90 a 105 dias, dependendo do período seco que será aplicado. Durante esse período, que corresponde aos primeiros três a três meses e meio da gestação, o peso da cabra aumenta lentamente, cerca de 2 a 4 kg, acumulando-se reservas corporais devido ao balanço energético positivo, permitindo-se o ajuste do escore corporal da cabra. Esta fase não difere muito da anterior, exceto pelo fato da cabra estar em gestação e pelo nível de produção de leite inferior, pois o desenvolvimento do feto ainda é pequeno.

Cuidado na administração de medicamentos, fornecer uma mistura mineral completa e bem equilibrada, inclusive nos microelementos, e evitar mudanças de lotes para que não ocorram abortos por traumatismos causados por brigas entre os animais. O escore deve estar entre 2,50 e 2,75 no início da fase e alcançar 2,75 a 3,25 no final da fase.

Fase 4

O início desta fase é marcado pela secagem, que deve ocorrer cerca de 45 a 60 dias antes do parto, que consequentemente corresponde à duração média desta fase. Se a cabra não for seca, esta fase não fica tão evidente, mas em termos de exigência, continua a existir, pois ela corresponde ao terço final da gestação, quando ocorre o maior crescimento da(s) cria(s), cerca de 85%, aumentando a demanda por nutrientes, enquanto a capacidade de ingestão da cabra é limitada, tanto pelo volume ocupado pela gestação como pelas gorduras acumuladas como reserva. O escore deve estar entre 2,75 e 3,25 no início da fase e alcançar 3,00 a 3,50 próximo ao parto. Convém ressaltar que no início dessa fase o escore aumenta, mas no último mês de gestação já começa a diminuir, em função da mobilização provocada pela alta demanda do feto e baixa capacidade de ingestão, já discutidas.

O ganho em peso dessa fase, entre 6 a 9 kg, corresponde principalmente ao crescimento do(s) feto(s), de tal forma que logo após o parto a cabra retorna praticamente ao peso que estava no início desta fase, ou até menos, em função da mobilização de reservas para o(s) feto(s), problema exacerbado no caso de três cabritos médios ou dois grandes. Durante as três últimas semanas de gestação o peso aumenta, mas de forma menos intensa, podendo inclusive se estabilizar imediatamente antes do parto. A capacidade de ingestão em kg de matéria seca permanece estável, mas diminui aproximadamente 5 a 10% se expressa em relação ao PV.

Utilizar um volumoso de boa qualidade, de preferência feno, permitindo uma sobra compatível com sua qualidade e de 500 a 800 g de concentrado. Caso se utilize silagens, não devem ser o único volumoso, pois a ingestão de matéria seca normalmente não é muito elevada, problema agravado pelo elevado teor de água. Valem aqui os cuidados apresentados para o terço final da primeira gestação, atenuados pelo fato de não haver mais a preocupação com o desenvolvimento corporal da cabra, que, mesmo no caso das cabras de segunda cria, que ainda apresentam um pequeno crescimento, as exigências para esta finalidade já serem bem reduzidas. Por outro lado, é ligeiramente agravado pela maior freqüência de partos múltiplos e formação de fetos maiores. Tomar cuidado com a ocorrência de toxemia da gestação, que ocorre tanto com sub como com superalimentação e avaliar a necessidade ou não de utilizar rações aniônicas. Nesse caso, cuidado com alimentos muito ricos em potássio, como o feno de alfafa.

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Última modificação: 04 March, 2007