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Alimentos


Os alimentos facilmente representam 50% das despesas de uma caprinocultura leiteira, não raramente ultrapassando essa participação, e chegando até a 80% em casos extremos.

Por outro lado, sem alimentos de boa qualidade, certamente o desempenho e muitas vezes até mesmo a saúde dos animais será comprometido.

Assim, chegamos a um dilema: que alimentos utilizar?

Vamos inicialmente dividir os alimentos em volumosos e concentrados, em função de seu teor de fibra.

Buscamos a máxima produção de volumosos na nossa propriedade. Como trabalhamos em uma propriedade pequena, com cerca de 2,0 ha no total, e não temos nenhum maquinário agrícola, muitas decisões já estão tomadas: vamos buscar forrageiras produtivas e perenes. Somos praticamente "auto-suficientes" nas águas, quando utilizamos Capim Elefante como base da alimentação e Rami, Amoreira e Feijão Guandu como complementos. Vamos buscar fora os volumosos que utilizamos na seca, normalmente feno. Usamos feno de alfafa o ano inteiro, mas em quantidades muito modestas e em situações muito especiais, devido ao seu elevado preço.

Quanto aos concentrados, por muito tempo utilizamos produtos comerciais. Trabalhamos com a Socil, com a Purina e com a Sonutri, e tivemos resultados satisfatórios com todas elas. Porém, a questão econômica é um aspecto muito importante a considerar, e que nos levou a desenvolver nossas próprias formulações, o que nos permitiu chegar a produtos custando cerca de 60% do que custam os produtos comerciais. São basicamente três formulações, uma com 14% de PB para os reprodutores, uma com 18% de PB para aleitamento, recria e cabras secas, e outra com 22% de PB para as cabras em lactação, todas com 75% de NDT. Nenhum segredo nos ingredientes também: a base é composta por milho e farelo de soja, mais minerais, e circunstancialmente utilizamos polpa cítrica, farelo de algodão ou farelo de trigo.

Com relação aos minerais, já utilizamos os produtos da Purina e da Socil, e atualmente usamos os da Tortuga e estamos analisando os da MCassab.

Utilizamos ainda cevada (resíduo da fabricação da cerveja), úmida.

Abaixo apresentamos alguns desses alimentos, com informações complementares.

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A base da alimentação de nossos animais é o Capim Elefante. Ele pode ser excelente, mas também pode ser péssimo, dependendo de como é manejado. Bem fertilizado e cortado com cerca de 1,2 m de altura, no máximo com 1,5 m, tem uma qualidade bastante razoável e uma produção que nenhuma outra forragem é capaz de alcançar. Vale ressaltar que sua utilização se restringe a 6 meses do ano, no máximo 8, se utilizadas algumas práticas de manejo.

Utilizamos Rami como volumosos complementar. Tem elevado valor nutritivo e é muito bem aceito pelos animais. Exigente em fertilidade de solo e clima, pode ser bastante produtivo. Uma limitação para o seu uso é a dificuldade de triturá-lo para o fornecimento aos animais. Se irrigado, o que infelizmente não é nosso caso, em nossa região produz razoavelmente mesmo no inverno.

O Feijão Guandu não é muito exigente em fertilidade de solo, tem uma produtividade razoável, um bom valor nutritivo e é muito bem aceito pelos animais. Se cortado novo, pode ser facilmente triturado. Seu único inconveniente é que é semi-perene, devendo ser plantado novamente a cada dois anos.

Atualmente utilizamos formulações próprias de concentrados, onde buscamos um melhor ajuste às nossas dietas e uma certa economia em relação aos produtos comerciais. Na seca, normalmente a base da alimentação de nossos animais é o feno, que compramos na região. Na foto observa-se ambos estocados de forma adequada.

A Alfafa é um alimento excelente, tanto que é conhecida como a "rainha das plantas forrageiras". Mas, como uma rainha, não faz por menos: é cara. Frequentemente custa tão caro ou até mais do que o concentrado. Esse fator limita substancialmente seu uso, que restringimos basicamente aos animais bem jovens, próximo ao desaleitamento e cabras em pico de produção.

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Última modificação: 04 March, 2007