O uso do feno na alimentação de ovinos e caprinos
Eneas Reis Leite
Pesquisador da Embrapa Caprinos Professor da UVA Caixa Postal D 10, CEP 62011-970, Sobral/CE
Por outro lado, as características e aptidões de cada indivíduo são também influenciadas por sua constituição genética. Todavia, a plena exteriorização da potencialidade genética só é possível quando a alimentação é adequada e suficiente, ou seja, de acordo com as exigências nutricionais individuais. Em caso contrário, a má alimentação funciona como fator limitante da produção e, embora o indivíduo possua aptidão genética para produzir, fica impossibilitado de revela-la integralmente. Para efeito de melhoramento, somente são consistentes as comparações entre indivíduos que revelam toda a sua potencialidade. No Nordeste do Brasil, notadamente na região semi-árida, são notórios os problemas alimentares dos pequenos animais, especialmente nos períodos prolongados de seca. Embora as pastagens nativas sejam abundantes e de alto valor nutritivo nas épocas chuvosas, as incertezas climáticas e os ciclos efêmeros da vegetação exigem a suplementação dos animais para que eles possam sobreviver e produzir satisfatoriamente. Inúmeras alternativas são encontradas para o fornecimento de volumosos de qualidade. Entretanto, pelas facilidades nos processos de produção e armazenamento, bem como pela sua qualidade nutricional, a administração de feno é uma das alternativas mais viáveis para os sistemas de produção nordestinos. O feno é obtido mediante a exposição ao sol e ao ar da planta cortada, que sofre dessecação lenta e parcial, de modo que a sua taxa de unidade, originalmente de 60 a 85%, seja reduzida para teores entre 10 e 20%, com perda mínima de nutrientes, maciez, cor e sabor. A fenação é um processo simples e econômico, sendo recomendável porque oferece algumas vantagens. Sua execução não apresenta dificuldades que impeçam o pequeno criador de realizá-la com o emprego de recursos manuais, ao passo que o grande criador pode faze-la em larga escala com o auxílio da mecanização. O armazenamento do feno é muito flexível, porque pode ser feito em fenis, medas ou depósitos, neste caso quando enfardado. A distribuição é simples, pois pode ser feita no cocho, podendo também ser consumido diretamente quando produzido em medas. O bom feno é palatável, nutritivo e ótima fonte de vitaminas A e D. Em virtude da sua concentração, um quilo de feno pode substituir três quilos de silagem de milho ou sorgo ou de forragem verde. Todavia, o valor do feno varia sob a influência de diversos fatores, principalmente a espécie e a idade da forrageira utilizada e da perfeição do seu manuseio e armazenamento, que envolvem o corte, a secagem, o transporte e pormenores relativos às medas, fardos e depósitos.
A qualidade de um feno depende de sua composição química, palatabilidade e digestibilidade, que por sua vez estão na dependência de diversos fatores, principalmente os seguintes: espécie botânica da planta, estágio de desenvolvimento, proporção de folhas, coloração verde, alterações causadas por mofos, bolores e insetos, presença de material estranho e perdas sofridas durante a preparação. Quanto às espécies de plantas, deve-se considerar principalmente que as leguminosas são ricas em proteína e cálcio, enquanto que as gramíneas são mais ricas em carboidratos. Algumas gramíneas, como o capim-buffel, a braquiária e o tyfton podem produzir fenos de alta qualidade. Por outro lado, o feno de leucena pode apresentar teores de proteína bruta em torno de 16%, com digestibilidade de 65%. Sob irrigação é possível promover cortes na leucena a cada 35 dias, o que proporciona de 12 a 15 toneladas de feno por hectare/ano.