Em
consonância com os modernos preceitos do agronegócio, existe uma série
de fatores que tornam imperativa a administração adequada de alimentos
para ovinos e caprinos nas diversas fases dos seus ciclos produtivos.
No Nordeste brasileiro, assim como nas demais regiões do País, um dos
fatores que limitam a competitividade da ovinocaprinocultura diz respeito
à interferência da alimentação sobre os custos e a qualidade da produção.
Como
regra geral, os preços dos animais e dos seus derivados têm sido pouco
corrigidos nos últimos anos, mesmo registrando-se demandas reprimidas
no mercado. Por outro lado, os custos de produção, principalmente os
insumos, a mão-de-obra e o capital têm crescido a taxas mais elevadas.
Em conseqüência, muitos pequenos ou ineficientes produtores têm sido
prejudicados com a redução de seus lucros ou forçados a sair do mercado.
A
resposta típica às flutuações nos preços tem sido o simples aumento
da produção ou, em empresas mais modernas, o incremento da eficiência
produtiva. Em geral o produtor é forçado a fazer face a uma redução
na relação lucro/unidade comercializada, ou então a melhorar seus índices
de produtividade para que possa permanecer no mercado. Assim, deve ser
considerado que a produção de derivados de qualidade e a regularidade
na oferta dependem de sistemas de alimentação que atendam às reais necessidades
dos rebanhos. Neste contexto, a administração de silagem configura-se
como uma das alternativas mais viáveis para satisfazer os requerimentos
por volumosos de qualidade, com reflexos na economicidade dos sistemas
de criação que demandam
alta produção e eficiência.
Em
um sentido bem amplo, a ensilagem é um método de conservação de produtos
por meio de silos. No caso especial das forragens, é um método de conservação
em estado verde, pela fermentação controlada de plantas com certo grau
de unidade. O processo recebe o nome de ensilagem, o produto resultante
é a silagem e o lugar do armazenamento é o silo.
A
ensilagem possibilita o fornecimento de alimentos suculentos e palatáveis
em épocas de escassez de pasto, ensejando também o aproveitamento do
material excedente em certas ocasiões nas capineiras, pastos e culturas.
Seu emprego é especialmente útil em explorações de caprinos leiteiros.
A
ensilagem é vantajosa pelas seguintes razões: não depende do estado
do tempo, como acontece com a fenação; torna as forragens armazenadas
mais palatáveis e mais digestíveis; possibilita o aproveitamento de
toda a planta; permite manter, por unidade de área, um maior número
de cabeças durante o ano todo; facilita o aproveitamento mais vantajoso
de certos subprodutos; contribui para baixar os custos com a alimentação
dos animais, porque diminui a necessidade de concentrados.
Em
contraposição, merece algumas restrições: exige maior emprego de capital,
com construções, equipamento e eletricidade ou combustível; requer trabalho
intenso nas ocasiões do corte das forrageiras e carregamento do silo;
fornece um alimento incompleto que, dependendo das forrageiras utilizadas,
precisa ser complementado com proteína e elementos minerais; a distribuição
diária aos animais implica em custos de mão-de-obra.
Os
custos com construção e carregamento do silo podem ser reduzidos se,
ao invés da construção de silo trincheira, seja adotado silo tipo sincho.
A escolha e o cultivo de plantas forrageiras de alta produtividade e
elevado valor nutritivo também irá refletir no custo da alimentação.
As
silagens de gramíneas, como o capim-elefante, o sorgo e o milho podem
ser adotadas com vantagens, especialmente porque podem ser obtidas altas
produtividades nas áreas plantadas. No entanto, o emprego de aditivos
torna-se recomendável, para favorecer a fermentação. O melaço de cana,
por exemplo, é rico em energia, devendo ser diluído em água e empregado
na proporção de 27 kg por tonelada da gramínea. O colmo da cana-de-açúcar
picado é uma boa fonte de carboidratos de fácil fermentação, tendo também
a propriedade de melhorar o valor nutritivo da forragem, devendo compor
em torno de 20% da silagem. Entretanto, as silagens de gramíneas são
normalmente pobres em proteína, de forma que a alimentação adequada
dos rebanhos exige a suplementação com concentrados.
Trabalhos
recentes desenvolvidos pela Embrapa têm enfatizado a melhoria do valor
nutritivo das silagens de gramíneas. Embora as silagens produzidas unicamente
com milho ou sorgo forrageiro sejam consideradas como alimentos de alta
qualidade do ponto de vista energético, as mesmas deixam a desejar no
que diz respeito aos teores de proteína bruta. Assim, para que o alimento
apresente um bom equilíbrio proteína-energia, tem sido recomendada a
adição de leucena na silagem, com a leguminosa compondo cerca de vinte
por cento da forragem.
A
escolha da forrageira adequada irá depender das condições locais (tipos
de solo, possibilidade de irrigação), bem como dos objetivos da exploração.
No entanto, qualquer que seja o sistema empregado, o produtor deve ter
em mente que os níveis de produtividade devem ser alcançados com o mínimo
possível de custos, para que a atividade se torne rentável e competitiva.
Assim, a administração de volumosos de qualidade, produzidos na própria
fazenda, certamente irá reduzir os custos com concentrados, ao mesmo
tempo em que atenderá aos requerimentos dos animais em seus diferentes
estados fisiológicos e níveis de produção.