A
Pecuária do Nordeste depende, basicamente, da pastagem nativa que teve
a capacidade de suporte reduzida em decorrência do manejo inadequado
da vegetação apresentando consequentemente baixo desempenho. Contudo,
o potencial para elevar a produção animal é amplo, principalmente através
da manipulação da vegetação e/ou através do uso de pastagens cultivadas
ou de pastagens com propósitos específicos (legumineiras, capineiras,
cactáceas, etc.).
Resultados
obtidos por vários pesquisadores, mostraram que o uso racional de plantas
forrageiras adaptadas e selecionadas é viável e que essas forrageiras
combinadas com a pastagem nativa permitem aumentar a eficiência da produção
animal no Nordeste brasileiro..
Existem
várias forrageiras que são recomendadas e devem ser usadas na formação
de pastagens cultivadas e com propósitos específicos para a alimentação
animal, especialmente na região semi-árida.
Para
formação de pastagens cultivadas podem ser usadas as gramíneas dos gêneros
Cenchrus, Cynodon, Andropogon
e Urochloa. O capim-búfel
(Cenchrus
ciliaris) possui várias cultivares desenvolvidas na Austrália
(Biloela, Gayndah, Molopo), e no Brasil ( Áridus e CPATASA 7754) além
de ecotipos existentes na Bahia e Norte de Minas Gerais.
O
capim-gramão (Cynodon dactylon) apresenta excelentes características agronômicas,
sendo uma boa opção para a formação de pastagens cultivadas, para o
enriquecimento de pastagens nativas, e para a produção de feno. O capim-Andropogon
(Andropogon gayanus) cv. Planaltina e o capim-Corrente (Urochloa
mosambicensis) também se constituem como opções para a formação
de pastagens cultivadas.
Na
formação de banco de proteína ou legumineira, a leucena é uma das forrageiras
mais promissoras para a região semi-árida, principalmente pela capacidade
de rebrota durante a época seca, pela adaptação as condições edafoclimáticas
do Nordeste e pela excelente aceitação por caprinos, ovinos e bovinos.
O
uso da leucena em banco de proteína
para pastejo direto ou para produção de forragem verde, para
produção de feno e de silagem,
para o enriquecimento da pastagem nativa e da silagem
de gramíneas,
e
para
a produção de sementes, mostra-se como uma alternativa viável para a
agropecuária. Outras leguminosas, tais como o guandu (cultivar Taipeiro)
e a cunhã também podem ser usadas na formação de banco de proteína,
e também para as outras formas de uso da leucena.
A
formação de capineira a semelhança do banco de proteína é de fundamental
importância em qualquer sistema de produção pecuário, o que irá permitir
uma alta produção quantitativa e qualitativa de forragem ao longo do
ano. Na formação de capineira o capim elefante com várias cultivares
é a forrageira mais cultivada
no Nordeste. Outras gramíneas tais como Canarana erecta lisa e as cultivares
Tobiatâ, Tanzânia, Mombaça além do sorgo e do milheto, são opções
viáveis no Nordeste.
Outra
opção viável para determinadas condições edafoclimáticas existentes
no semi-árido é o cultivo de cactáceas. No Nordeste são cultivadas duas
espécies de palma a Opuntia
ficus-indica com as variedades gigante e redonda e a Napolea
cochenillifera com a variedade miúda ou doce. Uma alternativa
para as áreas onde não é viável o cultivo da palma forrageira, pode
ser cultivada a melancia forrageira.
O
mais importante dessas forrageiras é que elas podem ser cultivadas usando
apenas adubo orgânico, adubação verde, restos de culturas, cobertura
morta, ou compostos orgânicos com uma produção de 4,0 a 8,0 toneladas/hectare/ano
de forragem (matéria seca comestível) com qualidade e com sustentabilidade
para caprinos e ovinos.
As
plantas forrageiras também podem ser usadas em sistemas intensivos (com
irrigação e com adubação) de produção de forragem para a produção de
carne e de leite, nesses sistemas são recomendados os capins Gramão,
Búfel Áridus, Elefante, Tanzânia e Canarana lisa, além das leguminosas
Leucena, Cunhã e Guandu.