Circuito fechado para colheita de embriões em caprinos


Hévila Oliveira Salles

Médica Veterinária, Pesquisadora da Embrapa-Caprinos
Estrada Sobral-Groaíras, km 4, Sobral, CE, 62011-970


Tornar as biotécnicas cada vez mais acessíveis ao produtor tem sido um desafio incessante das equipes que trabalham com biotecnologias da reprodução de ruminantes. Na Embrapa Caprinos não poderia ser diferente. Desde 1992 trabalha-se com transferência de embriões em caprinos e em 1997 a equipe de Reprodução da Unidade foi a responsável, no Brasil, pelo nascimento da primeira cria caprina oriunda de embrião congelado a partir de metodologias de colheita, criopreservação e de inovulação desenvolvidas no Laboratório de Biotecnologia de Embriões (LBE) da Embrapa Caprinos.

Não somente o custo das técnicas que compõem o portifólio de biotecnologias de embriões deve ser levado em consideração mas, também, os equipamentos, a facilidade de execução e a eficiência da técnica em recuperar estruturas viáveis. Nesse sentido, a equipe trabalhou de forma a elevar a eficácia da técnica de colheita de embriões caprinos, pela via transcervical.

No Brasil a colheita de embriões em caprinos por via transcervical já é uma realidade entre as poucas equipes que trabalham com reprodução programada nesta espécie. Uma grande vantagem da técnica é a possibilidade de se submeter a mesma doadora a um número maior de colheitas de embriões durante sua vida reprodutiva, considerando que a ocorrência de aderência no próprio sistema genital e entre este e as estruturas anatômicas anexas é mínima, em relação as técnicas, cirúrgica (laparotomia) e semi-cirúrgica (laparoscopia). Outra vantagem, não menos importante, é o baixo custo da técnica, tornando desnecessário o uso de medicações pré-anestésica e anestésica, o emprego de materiais de sutura, o uso de equipamentos sofisticados e de elevado preço, como o laparoscópio, além da praticidade na execução, o que pode ser aferido pelo reduzido tempo despendido para a colheita, por doadora.

Com o método hora em uso para colheita por via transcervical, usa-se um grande número de lavagens por corno uterino, objetivando uma maior taxa de recuperação de embriões. No entanto, o procedimento leva a um grande número de placas a ser analisado, por doadora submetida a colheita, o que demanda tempo. Vale lembrar que, um longo período de exposição dos embriões às condições de ambiente pode repercutir, negativamente, na viabilidade deles e, em conseqüência, comprometer os resultados da inovulação, a fresco ou após a congelação. Outros desafios a serem suplantados na técnica diz respeito a maior possibilidade de contaminação do lavado uterino com partículas em suspensão no ar, com pêlos, fezes e urina do próprio animal, com suor dos envolvidos no ato da colheita,  etc., transformando a colheita em uma fonte potencial de contaminação dos embriões recuperados, havendo ainda, a possibilidade de perda do material colhido após movimentação brusca da doadora.

Diante do exposto, através de um circuito fechado, buscou-se tornar a colheita por via transcervical uma técnica prática, asséptica e segura para a doadora, com a menor possibilidade de contaminação ou de perda dos embriões.

O circuito fechado propicia uma maior pressão no interior do corno uterino, o que favorece a recuperação do meio de lavagem intra-uterina infundido. Com o  sistema fechado, usa-se, em média, 100 ml de meio de lavagem, por corno uterino, administrados de forma contínua que, após a recuperação, é filtrado em um tubo coletor levando, no máximo, a preencher duas placas por fêmea submetida à colheita.

Usando-se o sistema fechado obtêm-se uma média de 7,8 estruturas recuperadas por doadora, média semelhante às obtidas após colheitas cirúrgica e semi-cirúrgica, pela equipe do LBE.

Diante da praticidade e do êxito da técnica, passamos a utilizá-la na rotina do laboratório e a recomendá-la como método para colheita de embriões em caprinos.