Tornar
as biotécnicas cada vez mais acessíveis ao produtor tem sido um desafio
incessante das equipes que trabalham com biotecnologias da reprodução
de ruminantes. Na Embrapa Caprinos não poderia ser diferente. Desde
1992 trabalha-se com transferência de embriões em caprinos e em 1997
a equipe de Reprodução da Unidade foi a responsável, no Brasil, pelo
nascimento da primeira cria caprina oriunda de embrião congelado a partir
de metodologias de colheita, criopreservação e de inovulação desenvolvidas
no Laboratório de Biotecnologia de Embriões (LBE) da Embrapa Caprinos.
Não
somente o custo das técnicas que compõem o portifólio de biotecnologias
de embriões deve ser levado em consideração mas, também, os equipamentos,
a facilidade de execução e a eficiência da técnica em recuperar estruturas
viáveis. Nesse sentido, a equipe trabalhou de forma a elevar a eficácia
da técnica de colheita de embriões caprinos, pela via transcervical.
No
Brasil a colheita de embriões em caprinos por via transcervical já é
uma realidade entre as poucas equipes que trabalham com reprodução programada
nesta espécie. Uma grande vantagem da técnica é a possibilidade de se
submeter a mesma doadora a um número maior de colheitas de embriões
durante sua vida reprodutiva, considerando que a ocorrência de aderência
no próprio sistema genital e entre este e as estruturas anatômicas anexas
é mínima, em relação as técnicas, cirúrgica (laparotomia) e semi-cirúrgica
(laparoscopia). Outra vantagem, não menos importante, é o baixo custo
da técnica, tornando desnecessário o uso de medicações pré-anestésica
e anestésica, o emprego de materiais de sutura, o uso de equipamentos
sofisticados e de elevado preço, como o laparoscópio, além da praticidade
na execução, o que pode ser aferido pelo reduzido tempo despendido para
a colheita, por doadora.
Com
o método hora em uso para colheita por via transcervical, usa-se um
grande número de lavagens por corno uterino, objetivando uma maior
taxa de recuperação de embriões. No entanto, o procedimento leva a
um grande número de placas a ser analisado, por doadora submetida
a colheita, o que demanda tempo. Vale lembrar que, um longo período
de exposição dos embriões às condições de ambiente pode repercutir,
negativamente, na viabilidade deles e, em conseqüência, comprometer
os resultados da inovulação, a fresco ou após a congelação. Outros
desafios a serem suplantados na técnica diz respeito a maior possibilidade
de contaminação do lavado uterino com partículas em suspensão no ar,
com pêlos, fezes e urina do próprio animal, com suor dos envolvidos
no ato da colheita, etc.,
transformando a colheita em uma fonte potencial de contaminação dos
embriões recuperados, havendo ainda, a possibilidade de perda do material
colhido após movimentação brusca da doadora.
Diante
do exposto, através de um circuito fechado, buscou-se tornar a colheita
por via transcervical uma técnica prática, asséptica e segura para a
doadora, com a menor possibilidade de contaminação ou de perda dos embriões.
O
circuito fechado propicia uma maior pressão no interior do corno uterino,
o que favorece a recuperação do
meio de lavagem intra-uterina
infundido. Com o sistema fechado,
usa-se, em média, 100 ml de meio de lavagem, por corno uterino, administrados
de forma contínua que, após a recuperação, é filtrado em um tubo coletor
levando, no máximo, a preencher duas placas por fêmea submetida
à colheita.
Usando-se
o sistema fechado obtêm-se uma média de 7,8 estruturas recuperadas por
doadora, média semelhante às obtidas após colheitas cirúrgica e semi-cirúrgica,
pela equipe do LBE.
Diante
da praticidade e do êxito da técnica, passamos a utilizá-la na rotina
do laboratório e a recomendá-la como método para colheita de embriões
em caprinos.